Nunca se falou tanto sobre inclusão, e naturalmente o assunto também se estende para a discussão sobre neurodiversidade. É o que propôs o “Terceiro Café e Roda de Conversa – Pessoas com deficiência: autismo e síndrome de Down”, realizado no dia 16 de setembro no TRT. A desembargadora Iara Rios, diretora da Ejud, abriu o evento e falou sobre a importância do tema e da atuação conjunta e solidariedade de todos para assegurar a inclusão e a neurodiversidade nas instituições e no mercado de trabalho. O juiz Rodrigo Dias, coordenador pedagógico da Ejud, apresentou as palestrantes e saudou os presentes.
O fato é que hoje as pessoas com transtorno do espectro autista e com síndrome de Down podem e devem ser inseridas no mercado de trabalho. A neuropsicóloga Beatriz Barmili, uma das convidadas do evento, afirma que se as crianças autistas forem tratadas adequadamente na escola elas podem se desenvolver profissionalmente e conquistar um emprego.
Baramili discorreu sobre a complexidade do comportamento dos autistas que pode variar de hiperatividade e hiberseletividade a dificuldades para lidar com frustrações, que se não cuidados podem gerar comportamentos repetitivos e levar à depressão e ao transtorno de ansiedade. “Os pais e professores devem estar atentos para identificar sintomas porque quanto mais cedo é feito o diagnóstico mais desenvolvidos e independentes eles se tornam”, ressaltou.
A procuradora do Trabalho, Janilda Lima, participou do encontro e falou sobre sua experiência com a filha Gabriela, autista. Ela diz que nunca perdeu a esperança de que ela pudesse crescer. “Ninguém pode ser rotulado de nada, você não sabe o que a pessoa pode fazer”, comenta ao revelar que a Gabriela, hoje com vinte e poucos anos, está na faculdade. “Quem tem que mudar primeiro são os pais e a sociedade”, afirma.
O roda de conversa também contou com o depoimento da servidora Yara Peixoto que falou sobre a sua história familiar como mãe do Rafael. Ela comentou como foi a evolução do filho e o que é preciso fazer para que as crianças que são diagnosticadas possam se desenvolver.
A psicóloga Patrícia José de Oliveira, que é membro do grupo de atendimento a jovens e adultos com síndrome de Down, falou na segunda parte da conversa sobre diversidade e inclusão. Ela disse que a doação que ela faz do trabalho é para as pessoas com Down. Patrícia explica que elas apresentam um grau de deficiência cognitiva em razão de uma disfunção genética. “Não aceitamos limitações que nos impeçam de “sermos” e a família precisa trabalhar a independência e autonomia deles”, salienta.
Por fim, foi a vez de Maria Cristina prestar o seu depoimento pessoa como pessoa portadora da síndrome. Muito articulada, ela conta que trabalha hoje na Drogasil e é empresária nas redes sociais como digital influencer. “Nós somos capazes de trabalhar e de construir uma família”, afirma Maria Cristina, que se sente realizada após conquistar esses dois sonhos.
FV
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