Paulo Márcio fala ao Projeto de História Oral do TRT18

IMG_8375 (Copy)O Projeto de História Oral do TRT18, que teve seu início em 2014, caminha para a terceira etapa em 2016. Até o momento foram realizadas 40 entrevistas com magistrados, servidores, advogados, ministros e procuradores, cada um ao seu modo e tempo deixa registrado um pouco da história desse Tribunal. Este ano estão previstas 30 entrevistas, a primeira foi realizada com o servidor aposentado Paulo Márcio Castilho de Souza Pereira. O Projeto é coordenado pela Escola Judicial e realizado através do Centro de Memória.

Paulo Márcio é mineiro de Belo Horizonte, nasceu em 24 de outubro de 1965. Diz que tem boas recordações de sua infância, foi criado na cidade de Pedro Leopoldo e ali fazia todas as peripécias de uma criança: brincou muito, andou de bicicleta, tomou banho no rio e etc.

Desde criança sempre gostava de ganhar seu próprio dinheiro e para isso lavava carros dos vizinhos e vendia as frutas provenientes de um pé de manga existente no quintal de sua casa. Quando adolescente pensava em ser militar, marinheiro ou até um dentista. Seu primeiro trabalho com carteira assinada foi aos 15 anos como office-boy em um sindicato em Brasília.

IMG_8382 (Copy)Ingressou na Justiça do Trabalho em 1984 na 10ª Região-DF. Sua vinda para o TRT de Goiás se deu em 1995, a convite do então presidente a época, desembargador Sebastião Renato de Paiva, para assumir a Secretária Geral da Presidência. Em seus depoimentos, Paulo Márcio expôs toda sua trajetória na Justiça do Trabalho, desde o seu ingresso na 10ª Região, até sua aposentadoria, que ocorreu no segundo semestre de 2015. No Tribunal da 18º Região exerceu vários cargos de direção, sendo que como Secretário Geral da Presidência ficou no cargo por oito anos e meio.

Solicitamos que falasse um pouco da Gestão do desembargador Platon Azevedo, por ter sido um marco na história do Tribunal. Paulo Márcio falou com muito carinho da gestão do desembargador Platon, pois viveu na íntegra todos os momentos. À época, secretário-geral da Presidência, retrata que o Desembargador se preparou para a assumir a presidência seis meses antes.

O desembargador Platon estava determinado a mudar a reputação do TRT 18º Região e para isso foram necessárias medidas de impacto. A primeira providência foi a demissão ou devolução dos diretores de secretaria sem vínculo com o TRT, o qual esclarece que todos eles receberam aviso prévio de 30 dias. Relembra, ainda, que foi na Administração do desembargador Platon que a indicação dos diretores da área administrativa passaram a ser da confiança do Juiz Presidente. Outro ponto importante, na gestão do Desembargador referido, foi realização de concurso público com nomeação dos aprovados na mesma proporção em que ocorreram a devolução dos requisitados.

Outra medida adotada foi a extensão do ‘Edital de Remoção’ para os servidores, uma vez que já existia para os juízes. Essa regulamentação trouxe mais transparência quanto a permanência dos servidores lotados no interior.

IMG_8344 (Copy)Paulo Márcio destacou também sua atuação frente ao Projeto TRT Voluntário e, ainda, sua extrema gratidão a desembargadora Katia Bomtempo e ao diretor Ricardo Lucena, que o apoiaram na criação do projeto, o qual se consolidou em um grande trabalho de humanização da Pediatria do Hospital Araujo Jorge. Um programa onde os servidores do tribunal doam voluntariamente a quantia de dois, quatro, oito reais mensais ou qualquer outro valor, descontados em folha. O dinheiro arrecadado é depositado em uma conta da AJUSTEGO e tem como coordenadores: Paulo Márcio, o Presidente da AJUSTEGO e o Presidente da AMATRA18. Essa parceria já dura doze anos.

Finalizou falando sobre sua aposentadoria precoce no segundo semestre de 2015. Desabafou dizendo “que a vida é mesmo um mistério, que às vezes vem acompanhada de surpresas boas e ruins. Triatleta, sempre cuidou bem da saúde e alimentação. Foi surpreendido há aproximadamente 3 anos com sintomas estranhos em seu corpo, como dificuldades para pedalar, falta de coordenação da perna esquerda e dificuldades ao falar. Fez inúmeros exames, passou por várias juntas médicas e no ano passado foi diagnosticado com Parkinson”.

Relembra que passou por momentos muito difíceis entre tristeza e aprendizado. Junto com o parkinson veio também a perda da irmã e sua aposentadoria. Paulo extrai lições de tudo isso, acredita que as aflições vem para todos, justos e não justos, não escolhe classe social, idade ou sexo.

Hoje, medicado, dedica todo o seu tempo para cuidar da sua saúde, mantendo uma rotina diária de fonoaudiologia, exercícios físicos e procurando entender melhor o Parkinson. Tem como lema de vida “que tudo passa”, sejam momentos bons ou ruins, assim é a vida, onde nos tornamos equilibristas oscilando em turbilhões de emoções.

Falar sobre a enfermidade lhe faz bem. Descobriu um projeto chamado “Vibrar com Parkinson”, coordenado por uma cientista da UFG, Dra. Danielle Lanza, que tem lhe ajudado a compreender melhor o parkinson. Acredita que os exercícios físicos ajudam a melhorar consideravelmente a saúde do parkinsoniano. Deseja provar isso através de um projeto com um grupo de portadores que serão acompanhados por um professor da UFG e seus alunos, observando como o grupo se comportará ao longo dos anos.

Texto: Ariony Chaves de Castro – Chefe do Centro de Memória

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