Advogada trabalhista Eliane Oliveira de Platon Azevedo é entrevistada no Projeto de História Oral do TRT18

IMG_9802“A história oral é uma metodologia de pesquisa que consiste em realizar entrevistas gravadas com pessoas que podem testemunhar sobre acontecimentos, conjunturas, instituições, modos de vida ou outros aspectos da história contemporânea”. Partindo desse princípio, a Escola Judicial, por meio do Centro de Memória, entrevistou mais uma testemunha do surgimento e da evolução da Justiça Trabalhista no Estado de Goiás, a Advogada Trabalhista Eliane Oliveira de Platon Azevedo.

Eliane nasceu no dia 17 de maio de 1963, na cidade de Anápolis. De origem rural, morou na fazenda até os 6 anos de idade, indo para a cidade, no ano seguinte, visando iniciar seus estudos. É a primogênita numa ordem de 4 irmãos. Mesmo sendo de origem pobre, teve uma infância feliz, adorava o período das férias para ir para a fazenda brincar, correr, subir nas árvores, etc. Seus pais se separaram quando ela tinha 13 anos e, desde então, Eliane começou a se virar para ganhar alguns trocados, dando aulas particulares de reforço escolar. Dotada de habilidades manuais, especialmente na pintura, adorava pintar lenços e camisetas, os quais vendia para ajudar sua mãe nas despesas da casa, mas sempre com o cuidado de não prejudicar seus estudos, pois era a sua prioridade.

Na adolescência sonhava em ser médica, amava as ciências biológicas e exatas, chegou a prestar vestibular mas não foi aprovada. Sua mãe, que já cursava a Faculdade de Direito, muito zelosa, ficava sempre de olho nos estudos da filha, e certo dia fez sua inscrição no vestibular para o curso de Direito. Eliane foi aprovada, decidiu fazer o curso apesar de nunca ter pensado um dia fazer o curso Direito, e para sua surpresa descobriu ali sua verdadeira vocação, especialmente para a Advocacia. Em julho de 1985, graduou-se em Direito pela Faculdade UniAnhanguera.

IMG_9941Já no primeiro ano da faculdade, começou a trabalhar no escritório do Dr. Sílvio Teixeira, inicialmente como secretária. Ali teve acesso à CLT, pela primeira vez, e não demorou muito já estava atendendo clientes, fazendo entrevistas, redigindo e frequentando os bastidores da Justiça do Trabalho, quando esta funcionava no prédio da Avenida Goiás. Eliane trabalhou naquele local por um ano e meio. Casou-se e foi trabalhar na empresa familiar, onde se tornou diretora administrativa. No penúltimo ano da Faculdade, pretendendo exercer a profissão, passou a estagiar no Departamento Jurídico do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Minérios e Derivados de Petróleo, onde atuou diretamente com a então advogada e agora ministra do TST, Delaíde Alves Miranda Arantes e o advogado Daylton Anchieta Silveira. Certo é que quando se formou, aos 22 anos de idade, já estava totalmente integrada na nova profissão, trabalhando no Escritório de Advocacia dos citados advogados.

Aos 25 anos, incentivada por alguns amigos Juízes, que à época diziam-lhe que ela tinha o perfil de Juíza, Eliane prestou concurso para Juíza do Trabalho Substituta no TRT da 10ª Região, foi aprovada em excelente classificação, mas preferiu não tomar posse. Segundo ela, foi uma surpresa sua aprovação se concretizar, pois não havia se preparado a contento, e diz que em momento algum se arrepende de ter desistido da magistratura. E apesar de saber que se tivesse optado pela Magistratura, certamente seria hoje uma Desembargadora, diz amar a advocacia e se sente totalmente realizada por ela.

O fator determinante para sua decisão foi que geralmente os juízes iniciantes eram designados para trabalhar no interior. A Região Centro-Oeste era muito extensa, ainda não existia o Estado do Tocantins, e tudo era muito longínquo, as estradas precárias e a preocupava muito morar sozinha, distante da família.

IMG_9793Eliane Oliveira de Platon Azevedo é uma das Advogadas trabalhistas mais bem sucedidas do nosso Estado, é competente e tem luz própria. Quem vê a elegante Eliane de Platon hoje, transitando pelos corredores desse Tribunal, desconhece que ela faz parte dos advogados pioneiros de nosso Regional. Iniciou seus primeiros passos como estagiária há 30 anos, ainda quando esta Casa de Justiça era jurisdicionada à 3ª Região Belo Horizonte-MG, posteriormente à 10ª Região-DF, viu nascer e crescer a 18ª Região, participou e ainda participa de toda sua evolução. Integrou todas as bancas examinadores dos Concursos realizados pelo TRT da 18ª Região para o cargo de Juiz do Trabalho Substituto.

Eliane de Platon é daquele tempo em que a Justiça Trabalhista passava por muitas dificuldades, com falta de pessoal e material. Segundo ela, para um advogado obter uma cópia da sentença ou de uma ata era necessário trazer o papel, havia muita precariedade nas instalações das Juntas, os poucos servidores trabalhavam em máquinas manuais, o juiz fazia a sentença a mão para posteriormente ser datilografada pelo Secretário de Audiência. Mas o bom de tudo era que havia um esforço muito grande dos juízes, advogados e servidores para que tudo funcionasse.

Lembra que a instalação do TRT de Goiás trouxe um avanço no aprimoramento dos operadores do Direito. Veio o TRT, a Procuradoria do Trabalho, a OAB teve que fazer um trabalho no sentido de difundir o Direito do Trabalho através de uma apostila simplificada do processo trabalhista, elaborada pela própria Eliane para capacitar os advogados a entender melhor a legislação trabalhista. Várias palestras foram feitas nas novas Juntas e nas já existentes. Isso culminou com o maior interesse dos advogados na área trabalhista e consequentemente aumentou o número de profissionais no Estado.

Relatou que o principal obstáculo enfrentado pelos advogados pioneiros era o difícil acesso à Justiça. No início havia apenas três Juntas de Conciliação e Julgamento no Estado de Goiás, sendo duas em Goiânia e uma em Anápolis. Nos outros municípios as demandas ficavam a cargo da Justiça Comum e a resposta era muito demorada. Se a Justiça do Trabalho apresentava dificuldades, na Justiça Comum era ainda pior. O Juiz não tinha conhecimento específico sobre a matéria, as instalações eram ruins, as estradas eram precárias, poucas rodovias pavimentadas, tudo era muito difícil. Lembra que na cidade de Senador Canedo, bem próxima de Goiânia, a Vara Cível não possuía telefone, sendo usado o da Diretora.

Hoje a Justiça do Trabalho cresceu muito, a estrutura é excelente, tanto para as partes quanto para os advogados. O Tribunal está totalmente eletrônico, sendo inimaginável que em tão pouco tempo aconteceria essa evolução tão significante. Acredita que tudo isso é resultado do comprometimento e da disposição dos servidores e magistrados e também a continuidade das administrações. “O administrador tem que partir de onde parou seu antecessor, sempre seguindo em frente. As pessoas precisam conhecer a história, para entender como tudo iniciou. A história da Justiça do Trabalhista em Goiás foi construída por pessoas que se preocuparam cada um a seu modo, para que ela avançasse sempre.” Frisou a advogada.

Texto: Ariony Chaves – Centro de Memória

Esta entrada foi publicada em Escola Judicial, Notícias e marcada com a tag , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Os comentários estão encerrados.