TRT eliminará mais uma remessa de processos em papel. Ação beneficia cooperativas de catadores

Reinaldo Rodrigues de Melo, de 24 anos, atua como catador no Jardim Curitiba 3. Ele é um dos 28 cooperados da Cooper Rama, uma das cooperativas de Goiânia beneficiadas com doações periódicas de materiais para reciclagem, realizadas pelo TRT de Goiás. “Cada um aqui tem sua área de atuação. Eu, por exemplo, sou responsável pela desmontagem de materiais eletroeletrônicos, mas o rendimento da cooperativa é distribuído igualmente entre todos”, revela o jovem, que também trabalha como educador ambiental.

Para a catadora e presidente da Cooper Rama, Dulce Helena do Vale, as doações são muito importantes para as famílias cadastradas. “Cada cooperado recebe uma média de R$ 900 por mês. Quando recebemos um carregamento com 5 toneladas de papel, por exemplo, a renda de cada catador aumenta em cerca de R$ 70, o que faz a diferença na hora de pagar uma conta, comprar uma carne ou mesmo contribuir para o INSS. É uma renda extra”, explica Dulce.

Novo descarte

Na próxima sexta-feira, 28/7, está prevista a eliminação de quase 23 mil processos provenientes do município de Luziânia. Grande parte das doações feitas pelo TRT se refere a processos inservíveis, ou seja, estão sendo eliminados papéis, capas plásticas e caixas de processos que foram arquivados entre 2006 e 2011. O TRT recolhe os processos nas unidades judiciárias em todo o Estado e leva para uma empresa em Goiânia especializada em picotagem e reciclagem, que, posteriormente, repassa os valores correspondentes a uma das cooperativas cadastradas.

Nos municípios de Anápolis, Mineiros, Porangatu, Posse, Uruaçu e Valparaíso foram eliminados este ano cerca de 77 mil processos, num total de 25 toneladas de papel. Em Rio Verde os trabalhos apenas começaram e já foram descartadas 2,4 toneladas, em quase 3 mil processos. Em Goiânia e Aparecida foram doadas para reciclagem pouco mais de 78 toneladas, referentes a aproximadamente 80 mil processos. Nas duas cidades ainda serão eliminados cerca de 75 mil autos.

Dos processos físicos eliminados, estão sendo mantidas as decisões proferidas, como sentenças e acórdãos, além de processos com valor histórico e autos para amostra estatística.

O agente de segurança Antônio Goulart Borges, do Núcleo de Material e Logística, é um dos servidores que estão percorrendo o interior de Goiás e fazendo esse trabalho de recolhimento. “Quando os processos são retirados para o descarte, o ambiente passa por uma transformação. O espaço fica mais confortável para as partes e servidores”, relata.

A doação de processos atende à Recomendação do CNJ nº 37/2011, que prevê a destinação do material selecionado a programas de natureza social. O acordo de cooperação técnica foi firmado entre o TRT e duas centrais de cooperativas, a Cecooreg e a Uniforte, em sistema de revezamento.

Economia

O descarte de processos também gera economia aos cofres públicos. Por iniciativa do presidente do TRT, desembargador Breno Medeiros, a transferência do arquivo para um imóvel próprio na Avenida Portugal, no início deste ano, permitiu ao Tribunal uma economia de cerca de R$ 20 mil mensais. Antes, o montante era gasto com aluguel, manutenção, limpeza e segurança de um imóvel localizado na avenida T-9, utilizado somente para guarda dos processos físicos.

 

Maurício Pimentel

Seção de Imprensa (CCS)

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