Especialista em autoconhecimento fala sobre mudança e abertura para o novo em palestra no TRT18

Heloísa Capelas também é autora do livro “O mapa da felicidade”

A consultora, coach na área de Recursos Humanos e especialista em autoconhecimento e inteligência comportamental Heloísa Capelas ministrou uma das palestras no evento de abertura do ano letivo de 2017 da Escola Judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região na última sexta-feira (17/2), no auditório do Fórum Trabalhista de Goiânia. Ela abordou o tema “Abrindo portas para o novo”. Antes dela, o ministro do STJ e corregedor nacional de Justiça João Otávio de Noronha proferiu palestra no mesmo evento sobre “O Judiciário do futuro”.

Heloísa Capelas analisou as mudanças pelas quais o mundo passou a partir de 1952, quando foi descoberta a cadeia do DNA humano e se constatou que ele é 98% igual ao DNA do chimpanzé. De lá para cá, a teoria dos sistemas se desenvolveu e a tecnologia também, o que fez o mundo mudar avassaladoramente e, com essas mudanças tão rápidas, as pessoas perderam suas referências. “Hoje não dá mais para ser como a minha mãe era, como a minha avó era. Esse modelo não serve mais. O mundo de hoje é completamente diferente do que era o de ontem”, ressaltou.

Magistrados e servidores assistiram à palestra da consultora paulista

No entanto, ela lembrou que, apesar dessas rápidas mudanças, há duas instituições muito importantes na sociedade que demoram muito a mudar: a justiça e as escolas, que continuam muito parecidas com o que foram nos últimos 50 anos.

Ao fazer uma relação do tema por ela exposto com a palestra anterior (do ministro do STJ João Otávio de Noronha), Heloísa Capelas citou uma pesquisa feita há dez anos, na qual foi perguntado às pessoas que nome elas dariam para a pior dor que elas já tinham sentido na vida. 87% por cento dos 4 mil entrevistados responderam “injustiça”. “É a nossa maior dor: a sensação de não sermos vistos, não sermos ouvidos, não sermos reconhecidos e, portanto, injustiçados. Por isso é tão importante essa conversa aqui hoje com o ministro. Por isso é tão importante pensar como a gente pode criar uma justiça do futuro, rápida e respeitosa, que diminua a dor do cidadão que está se sentido injustiçado e foi a um tribunal”, ressaltou.

Mudança e adaptação

Desembargador do TRT18 Welington Peixoto entrega certificado de participação à palestrante

Heloísa Capelas disse que os nossos talentos nascem conosco, mas a forma pela qual nos tornamos humanos nos é ensinada e se constitui na nossa história. “Se a gente se apropriar dessa história, a gente constrói o presente de hoje. Por isso é preciso ajustar o foco. Eu preciso olhar a partir de mim. E eu tenho olhado a partir de quem me constituiu, sem que eu me dê conta disso. Se eu não parar para pensar, eu me torno a velha de 60 anos que a minha mãe foi. Por quê? Porque é o meu modelo”, explicou.

Segundo a consultora, temos que nos apropriar de nosso maior talento, que é a mudança. “Mudamos desde que nascemos. O bebê vira menino, que vira um jovem, que vira um homem, que vira um velho. E por que não mudamos tão rápido como fazemos na vida?”, indagou.

Ela então mencionou outro talento que temos e que se chama adaptação, que pode ser usado tanto para o bem, quanto para o mal. “Nós somos seres adaptáveis, portanto não entraremos em extinção como os animais irracionais”, exemplificou. Por outro lado, nos adaptamos a uma situação ruim e, com o tempo, começamos a chamá-la de mais ou menos, logo dizemos que ela não está tão ruim assim e, em seguida, dizemos que a vida está boa. “E aí paramos de mudar. Essa adaptação tira todo o poder da nossa capacidade de mudança. Toda vez que a gente se adapta, a criatividade vai para uma gaveta. Para que eu vou mudar? Está adaptado mesmo”, explicou.

Da esquerda para a direita: coordenadora pedagógica da Escola Judicial, juíza Wanda Lúcia; o diretor da Escola, desembargador Elvecio Moura; e a palestrante Heloísa Capelas

Heloísa Capelas disse ainda que, muitas vezes, as pessoas não se abrem para uma nova experiência por causa do medo de perder algo que já elas já têm, o que pode gerar a sensação de injustiça. Isso impede as pessoas de fazerem o novo, deixando-as presas à mesmice. “A gente muda se construir uma imagem mental positiva, se começar a ver a vida de uma maneira positiva. A criatividade está na emoção. A gente não pensa a criatividade, a gente sente a criatividade e, para sentir, é preciso imaginar! E para isso você precisa se apropriar de quem você é.

Ela finalizou lançando ao público várias perguntas que devemos fazer se quisermos mudar. Entre elas, Onde você aprendeu a ser tão pessimista? Com quem você aprendeu a dar tanta atenção à opinião dos outros? Com quem você aprendeu a ter tanto medo da mudança? Onde está o movimento de mudança que eu posso fazer, que você pode fazer e que nós podemos fazer juntos? “Senão a gente fica esperando isso das instituições. E as instituições são a soma de todos nós. Não há uma mágica que diga: agora, esteja aberto para o novo!”, concluiu.

Wendel Franco
Seção de Imprensa-CCS

Ouça abaixo a notícia da Rádio Web TRT Goiás:

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