Psicanalista Jorge Forbes fala sobre o desafio da pós-modernidade e a invenção do futuro em palestra no TRT

Reconhecido como um dos maiores psicanalistas lacanianos do país, Jorge Forbes proferiu a segunda palestra desta sexta-feira, 23/02, “Como podemos construir nosso futuro?” durante a abertura das atividades de 2018 da Escola Judicial. Segundo o psicanalista, nós vivemos a maior revolução dos últimos 2500 anos e o grande desafio hoje é conseguir transformar a angústia em um impulso capaz de abrir novas possibilidades. Ele falou sobre tecnologia, a pós-modernidade, inteligência artificial, as diferenças entre Terra Um e Terra Dois e o que se espera para o futuro próximo.

Em vez de falar em modernidade e pós-modernidade, Jorge Forbes preferiu utilizar o termo Terra Dois, nome que deu ao programa que apresenta na TV Cultura. Segundo ele, Terra Dois é um planeta geograficamente igual ao planeta Terra Um, mas tem características diferentes. A diferença fundamental entre os dois mundos, segundo ele, é que o mundo anterior responde a uma ordem vertical e o mundo atual responde a uma ordem horizontal. Ou seja, hoje já não existem os sentimentos verticais de filiação, chefia e pátria. “Nós tínhamos motivos de amor intermediado: Estou com você porque me casei, por causa da igreja, da profissão, dos filhos etc. Hoje isso é uma bobagem, porque uma pessoa está com a outra hoje porque quer”, explicou.

Jorge Forbes: “O presente é uma invenção do futuro”

Segundo o psicanalista, as modificações no trabalho após a modernidade são imensas. “Em Terra Um, por exemplo, o futuro era uma projeção do presente. Os nossos pais previam nosso destino e diziam que se quiséssemos dar certo teríamos que ser advogados, médicos, engenheiros ou funcionários do Banco do Brasil”, explicou destacando que hoje os jovens não respondem a um mesmo tipo de padronização das gerações anteriores. Isso faz que o tempo atual seja menos disciplinado porém mais criativo, em que o presente é uma invenção do futuro.

Para entender melhor o momento atual, Jorge Forbes citou os cinco grandes momentos históricos dos últimos 2500 anos detalhados pelo filósofo francês Luc Ferry. No primeiro deles, na Grécia antiga, prevalecia a Ética da natureza (1), em que cada um tinha seu lugar determinado e as categorias eram estanques. Na sequência, passa-se à Ética da religião (2) em que a pessoa e as posições sociais podiam variar e havia a promessa de vida eterna. Esse período rompeu-se no século XVIII, com o surgimento da Ética da Razão (3), que iniciou com o movimento Iluminista. “Esses três estágios são três transcendências distintas, mas continuam sendo três estruturas verticalizadas”, disse. Foi a partir de Nietzsche, segundo ele, que se passou ao quarto momento, à Desconstrução (4), em que a filosofia do martelo quebrou todas as respostas que tínhamos para a angústia da morte.

Por fim, Jorge Forbes esclareceu que esse cenário começou a mudar nos últimos 30 anos, e a questão seria antever o próximo período, se vamos ter um novo humanismo.
“Nós chegamos a um momento da nossa civilização em que podemos mais do que nós queremos. A tecnologia é muito superior a nossa possibilidade de colocá-la em nossas vidas”, disse. Segundo ele, estamos em uma época de uma Ética de invenção e de responsabilidades (5), onde somos atingidos por quatro grandes revoluções na área de nanotecnologia, biotecnologia, informática e conectividade. “Essa é uma questão fundamental à qual não se pode esquivar uma resposta. Ele adianta que os avanços científicos não serão capazes de dar sentido ao real que nos constitui. “As expressões do humano variarão surpreendentemente, mas não a sua qualidade constitutiva”, concluiu.

 

Lídia Neves – Setor de Imprensa/CCS

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